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por Elcio Ferreira 28 June 2004

Design e complacência com padrões

Excelente post do Jonas: … A simplicidade de design, simplicidade extrema, que pode ser caracterizada por um estilo focado primordialmente no texto, conteúdo, e não nos [...]

Excelente post do Jonas:

… A simplicidade de design, simplicidade extrema, que pode ser caracterizada por um estilo focado primordialmente no texto, conteúdo, e não nos ornamentos da página. Esse tipo de design é uma espécie de caminho natural para quem começa a entender a importância de padrões, e passa a utilizar técnicas modernas como o design tableless (layout definido via CSS) …

Embora isso tenha acontecido na prática, a questão não é tão preto-no-branco quanto pode parecer ao leitor incauto. Muitas pessoas confundem layout CSS com design minimalista. São coisas diferentes. Estão associadas por uma série de circunstâncias, entre elas dois fatos:

  1. As mentes pensantes na produção web, que se preocupam com padrões web, por coincidência também se preocupam com usabilidade, acessibilidade e arquitetura de informação. E, generalisando tanto quanto o Jonas, posso dizer que o minimalismo é um caminho natural para quem se preocupa com essas coisas.
  2. Como é natural com qualquer coisa que se aprenda, as pessoas que começam a aprender layout CSS querem produzir logo algo útil. O uso de padrões web é apaixonante ao ponto de as pessoas que ainda não dominam bem as técnicas do layout CSS simplificarem seus layouts afim de conseguir produzí-lo de maneira adequada com o que sabem.

A despeito desses dois fatos, não há relação técnica entre layouts simples e CSS. Como disse o próprio Jonas:

Neste momento é importante ressaltar que CSS não necessariamente sugere o design simplista, muito pelo contrário.

Ou seja, as pessoas que realmente conhecem padrões web e tem construído layouts simples o tem feito porque enxergam nessa simplificação uma boa solução de layout, não porque sejam obrigadas a isso.
Mais:

E consequentemente, designers que utilizam essas ferramentas se mantém distantes da realidade, mantendo a idéia de que editar código é muito difícil. A situação é de dependência.

Disse tudo. Mais:

Uma coisa que poucas pessoas compreendem, principalmente com toda essa publicidade em torno de, abre aspas, tableless, fecha aspas, é que CSS Layout não implica, de forma alguma, a complacência com padrões.

Há uma confusão de conceitos aqui. É difícil definir “complacência com padrões”. As recomendações de acessibilidade do W3C tem tanto valor e autoridade quanto as do XHTML, por exemplo (é curioso notar, o W3C raramente usa o termo “standard”.) Assim, o que seria exatamente “complacência com padrões”? Validar o documento assegura que ele é complacente com os padrões?
Mas é apenas uma questão de terminologia, o Jonas está certíssimo em separar conceitos que muitas pessoas erroneamente vinculam. Um site pode ter layout CSS e não ser um HTML válido, como este aqui. Pode também ter código válido e ser montado com tabelas. Pode ter código inválido, layout com tabelas e ser acessível a deficientes visuais, enquanto outro pode, por exemplo, ser tableless, com XHMTL Strict validado e ser inacessível.
Claro, quando você aborda o HTML semanticamente, como manda o W3C, fica mais fácil construir código validado e sites acessíveis. Mas são trabalhos diferentes, que se aplicarão também a recomendações diferentes do W3C. Acho que seria mais apropriado, ao invés de falar sobre complacência aos padrões como algo que um trabalho possui ou não, falar em níveis de complacência. Talvez a pergunta apropriada não seja “é complacente?” e sim “quão complacente?” Talvez ao invés de “é complacente com os padrôes?” devêssemos perguntar “é complacente com quais padrôes?”
Sobre “consumptibilidade”, gostaria de perguntar aos meus leitores: vocês validam seu HTML e CSS? Porquê? Eu costumo validar meus documentos (sim, eu sei, nem este site nem meu Blog são válidos, mas, a despeito desse desleixo, eu costumo sim validar meus documentos.) Mas confesso que tenho uma certa dificuldade em convencer algumas pessoas a validar. A pergunta que sempre me fazem é, uma vez que o documento não-válido é acessível hoje, e bem, em qualquer navegador, se vale a pena se dar ao trabalho de validar. Se você escreve seu blog pessoal ou prepara conteúdo para um cliente, onde você sabe que ninguém vai mexer, faz todo o sentido, e meu blog não valida, confesso, por puro desleixo. Mas se você, como alguns dos meus alunos, trabalha na criação e manutenção de sites conectados a complexos CMS, usados por mais de duas centenas de jornalistas e editores a coisa parece diferente. Sim, jornalistas, não webdesigners ou programadores, gente para quem difereça entre negrito e forte, ou itálico e enfatizado, parece o sexo dos anjos. Gente que precisa inserir imagens e formatar texto, e quem vai convencer uma centena de jornalistas a fornecer boas alternativas textuais para suas imagens? Ainda não tenho uma resposta.

9 Opiniões Quero Opinar
  1. Aquiles says:

    Meu, faz um curso de web standards que ce aprende a validar site numa boa! Vê essa daqui, ó: http://www.atipico.com/curso - lá eles ensinam a validar

  2. justy says:

    Gostei do texto, realmente falou tudo.

  3. Elcio says:

    Ha! Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!
    Valeu Aquiles! Acho que vou fazer o curso ;-)

  4. Renato says:

    kkkkkkkkkkkkkkkk….Pareceu até piada do Aquiles hein Elcio?! :) Muito bom o post do Jonas e o seu!!!
    []’s

  5. Fernando says:

    eh… tb concordo q esse negócio de complacência bla bla bla é uma visão muito tecnicista sem levar em consideração a conjuntura do mercado. Excelente…

  6. Penso que se existem padrões, é muito importante seguilos, independente se vai dar trabalho ou não.

    Exibir isto à um cliente é valioso, mostrar um portfólio validado é importante.

    Agora, ensinar e assumir ser relaxado acho um tanto perigoso… ter o próprio trabalho desprestigiado…

    Acho que devemos nos esforçar e sempre seguir os webstandards.

    Senão, poderei pensar assim em qualquer momento.
    "Por que vou parar no sinal vermelho se ainda dá tempo de passar"
    ou
    "Por que vou obedecer o limite de velocidade se aqui não tem fiscalização eletrônica."
    Meu Povo e minha Póva, vamos deixar de DESLEXO, RELAXO e PREGUIÇA para construir um WORLD melhor, ou pelo menos uma WORLD WIDE WEB melhor…

    Nada Pessoal.

  7. Bem… achei o post muito interessante e concordo que em algumas situações não é possível publicar um trabalho com um código validado: quando se faz um site grande, com uso de tecnologias prontas (vide CMSs da vida) é difícil trabalhar standards… mas pode-se trabalhar de forma organizada para uma parte ou até uma boa parte do trabalho esteja "standarizado"… e com isso vai-se construindo uma WWW melhor!

    Desenvolvi apenas um trabalho Tableless e hj tive uma grata surpresa ao acessa-lo utilizando um PDA: ficou rápido e perfeito na diminuta tela…

    Um abraço a todos!

    Em tempo: http://www.legu.com.br

  8. Areshandore says:

    Meu blog que está hospedado no Blogger nunca será um html válido… Q pena! Como estou triste com isso!!! ;-)
    Deixando o sarcasmo de lado, estou aprendendo estas normas não para dizer "Minha página é válida, a sua não =P" pra algum amiguinho… e sim para garantir que ela será vista igual no maior n° de plataformas possível.

    Seguindo o mínimo de regras, meu blog testado no IE, Opera, Mozilla, Firefox e Deepnet aparece igual. Isso já me deixa feliz. :)
    Nota: A página da Microsoft e a maioria dos portais de Internet(pra não dizer todos) tb não são validados. Que coisa não? =D

  9. Ranzi says:

    Sempre dou uma passadinha por aqui para ver o que há de novo e para ver se meus conceitos estão bem embasados.
    Depois que ouvi falar de Tableless, em um site de PHP, me interessei no assunto e não parei mais de acessar este.
    Realmente a usabilidade e clareza são fundamentais, vejo isso no meu serviço (Banco) e também na rede. Como tenho um site de festas, e por vezes indicamos quais serão as baladas, indicamos os locais, porém, não o endereço. Pois bem, imagine que alguém venha conhecer a minha cidade, procure pelo nome dela no Google e encontre meu site (gracia a dio, e à um calhamaço de 400 folhas, consegui posicionar bem), saberá em que lugar haverá a festa, porém, sem endereço e nada. Ainda temos muito o que melhorar nesse sentido, porém, a idéia já está na cabeça, e cada dia, damos um passo a mais para trazer a idéia de usabilidade e praticidade ao nosso site.

    Um grande abraço aos desenvolvedores deste.

    Ranzi

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