Eu nunca tive um canivete suiço. Lembro-me que meu tio tinha um, daqueles tradicionais, com cabo vermelho, abridor de rolhas e latas, chave de fenda, lima e tudo quanto mais tinha direito. Sem dúvida uma ferramenta útil em horas de aperto e imprevistos. Mesmo assim, eu nunca vi ninguém preferir a faca que vem no canivete em vez de utilizar uma faca normal. O motivo é óbvio: uma faca normal tem uma série de características que o canivete, por contemplar tantas ferramentas em um mesmo lugar, não poderá ter nunca. É muito mais confortável utilizar a faca, ela é mais ergonomica e afiada. Ela desempenha bem o seu trabalho porque ela foi criada, especificamente para cortar.
Durante muito tempo agencias web achavam que o desenvolvedor deveria ser uma espécie de canivete suiço. Lembro-me que haviam empresas que procuravam designers que soubessem duas ou três linguagens server-side e programadores que entendessem bem de photoshop, fireworks e illustrator. Pague o salário de um e leve dois. Contudo, também haviam profissionais que achavam que ele deveria ter exatamente este perfil. Talvez por pressão do mercado ou até mesmo porque ninguém entendia direito esse negócio de web.
Era “chic” você dizer que sabia um pouco de tudo. Mas o tempo mostrou que quem sabe um pouco de tudo na verdade sabe muito de nada. Há problemas que apenas um especialista, acostumado com as peculiaridades de um certo ambiente, pode resolver com maestria. Há coisas que só a faca pode cortar.
Felizmente o mundo girou e a web mudou. Hoje é mais comum encontrarmos empresas que separam os processos. Paga-se mais para ter uma equipe de desenvolvimento web hoje em dia. No lugar daquele profissional meio ou quase nada especialista, você terá uma pessoa focada, concentrada em apenas um tipo de tarefa e está acostumado com essa atividade.
O processo de desenvolvimento web vem sendo modificado durante anos. No começo do desenvolvimento de sites e sistemas para internet eram planejados baseando-se em papel. Passava-se muito tempo planejando um sistema antes de faze-lo. O cliente demorava para ganhar algo de valor e a equipe ficava ocupada prevendo quanto tempo levariam para desenvolver as etapas.
O processo de desenvolvimento também era linear. Geralmente acontecia de a equipe receber o briefing do cliente, que depois era passado para o designer, que faria o layout no Photoshop ou qualquer outro sistema visual. Depois de já desenhado, ele preparia o HTML, normalmente utilizando um editor WYSIWYG. O programador por sua vez, com o código HTML na mão programaria todo o site ou sistema.
Essa forma linear de desenvolver sistemas é algo aterrorizante, traz muitos problemas de manutenção e retrabalho. Se o cliente requisitasse alguma mudança no desenho do layout, o designer teria que refazer todo o HTML que por sua vez seria reprogramado novamente pelo programador. As partes: programação, design e client-side eram totalmente dependentes uma das outras. Uma forma antiga e nada produtiva de se desenvolver.
Com a era dos Padrões Web isso tudo ajudou a mudar. A equipe já havia sido basicamente modificada. Agora, em vez de uma pessoa para fazer design, client-side e server-side, há pelo menos 3 profissionais: um para fazer o design, outro para estruturar o HTML e por fim o programador com o server-side. Essa partes são independentes. Se o cliente mudar de idéia em relação ao design do site, o HTML não precisará ser modificado, logo o programador não precisará reprogramar o site. Será trabalho apenas para o Designer, que terá que refazer o layout e criar um novo CSS. É trabalho para apenas uma pessoa. O resto da equipe poderá se ocupar com outras tarefas.
O caso acima só terá sucesso se em cada uma fases do desenvolvimento houver um especialista por trás. Um “coringa” não conseguiria ser tão ágil porque ele não domina todas as áreas.
Toda essa história também muda a cara do mercado. Profissionais são mais valorizados pelo seu conhecimento, sua experiência e especialização. Os profissionais se tornam mais dedicados com o processo e ganham uma visão muito maior de todo o projeto.
48 Comentários
48 Comentários
Felipe S. Gomes 03/02/2009 às 10:59
Divisão Social do Trabalho na cabeça, Diego. A especialização, juntos aos padrões, torna o trabalho em geral mais eficiente.
Pena que nesse processo o trabalho fique um pouco menos romântico, não é mesmo?…
Ubiratan de Carvalho 03/02/2009 às 11:03
Salve pessoal,
aqui no sul, pelo menos na minha cidade, ainda temos muito o problema das empresas quererem achar um coringa que faça design, client-side, server-side, compre pão, lave roupa e se sobrar tempo limpe o banheiro. Procuro sempre reforçar esta idéia com o pessoal que trabalho, de que é melhor contratar pessoas para trabalharem especificamente em uma área, pois isto trará mais produtividade, mais qualidade ao trabalho final, menos retrabalho, mais manutenibilidade, entre outros “mais” e “menos”. Batalhemos pela especialização! Não sou contra profissionais generalistas, que no meu entendimento são muito úteis em tempos de planejamente e visão global do projeto. Mas na hora da mão na massa, um especialista é imprescindível.
Grande abraço a todos de um programador server-side que vez ou outra tem que se embrenhar no client-side
Diogo Corrêa 03/02/2009 às 11:10
Eu não seria tão otimista. Anda existem muitas empresas procurando profissionais tudo-em-um. Não sei como é em São Paulo, mas aqui em Belo Horizonte ainda é assim.
E pra quem está começando com essa brincadeira, o jeito é mostrar serviço em todas as áreas. Eu acredito que essa mentalidade vai acabar, mais ainda faltal bastante.
leonardo mateus 03/02/2009 às 11:37
A questão é ‘Referência’. Se vc faz de tudo um pouco, não cria referência em nada, e acaba se tornando verdadeiros ‘quebra-galhos’, o que não é nada profissional. Concordo com Diego. Devemos ser especialistas no nosso trabalho, porque isso garante a qualidade e sucesso. Embora, na medicina existam os clínicos gerais, logicamente um cardiologista é a pessoa certa pra ‘mexer’ no seu coração. E com certeza será a referência.
Já trabalhei com server e client-side, mas como disse o meu colega de serviço, se é pra ser bom, prefiro ser um bom ‘layoutista’. A minha época de quebra-galhos já passou… rsrsr
abrassssss!!!!
Ariê Perini 03/02/2009 às 12:03
Diego,
Concordo com você plenamente só uma questão passando por grandes empresas como Agência Click, IG e hoje na Abril a tarefa de CSS fica com o programador de interface (CSS+XHTML+Javascript).
Acho ainda que o Javascript tem que passar para responsabilidade da area de programação server-side e os programadores de interface tem mais voz ativa na area de arquitetura da informação e conversar mais com o pessoal de criação.
Abraço
Arthur 03/02/2009 às 12:05
Não só concordo com o Diego, como defendo isso a muito tempo.
Sempre achei um absurdo aqueles classificados que sempre lemos (ainda hoje, na web e impresso) de agências que pedem um designer que tenha conhecimentos de photoshop, fireworks, illustrator, html, css, php, e dizem “javascript e ajax é plus”. Chega a ser comico.
Rapaz, desde quando as coisas saem melhor quando uma pessoa só tenta abraçar o mundo? Fazer tudo? TODOS já vimos muitos casos como esse acontecer e não dar certo (podem até dar certo, mas são exceções).
Eu como designer, também penso que deveria criar o meu html+css, mas como tenho gente que faça com qualidade, nem me importo muito (ainda). Mas venho aprendendo bastante como nosso Campus da Visie, os vídeos são muito bons. =)
Não sei quanto a outros designers, mas eu ainda penso que quando você mesmo cria o html+css do seu layout, você fica meio “engessado” na criação, pois já cria pensando no html+css que fará depois, já tentando não complicar graficamente pra não ter mais trabalho, onde acaba tudo saindo meio que cheio de boxes pra lá e pra cá. (não sei se me fiz entender)
Mas é o tal negócio, tem lugares que tem gente que é um “canivete suiço” mesmo, mas é como falei acima, são exceções.
Abraços!
battisti 03/02/2009 às 12:09
Saudações
Ontem a noite estava justamente discutindo a questão de como se pode dividir as tarefas necessárias para o desenvovlimento de um projeto web de tal forma que seja possível existir pessoas especialistas em cada pequena parte.
Na minha concepção creio que a industrialização é um processo evolutivo natural, assim como ford e tailor tiraram das costas de cada trabalhador o fardo total da manufatura devemos fazer isso também com os projetos web, porém, existem pessoas (como esse meu colega) que julgam “e tem bons argumentos” de que projetos web necessitam de muita criatividade para serem realizados.
[]‘s Anselmo Battisti
Marcus Silva 03/02/2009 às 13:34
Concordo contigo Diego, mas é triste que em algumas regiões essa mentalidade ainda perdure.
Trabalhei em uma “agência” onde a premissa principal era a de entregar o job, onde a máxima verdadeira era “faça como você achar melhor e use todos os seus conhecimentos pra entregar isso antes do prazo”.
Creio que seja questão de respeito e reconhecimento dos profissionais de web. A coisa anda muito generalizada; qualquer um que conheça de internet sabe também fazer um banner animado e do contrário você não serve.
Por conta do desrespeito com o cliente e com a nossa profissão que notei quando atuava no cargo de programador de sistemas web desta “agência” hoje tenho a mentalidade deturpada. O lado bom disso tudo é que esta experiência me deu uma boa dose de perfeccionismo.
Rafael Gonçalves 03/02/2009 às 13:43
Eu gosto de ser o coringa. Visto que o CSS+HTML são extremamente simples, eu posso ao mesmo tempo ser Designer ou programador. Dependendo das demandas da empresa.
O que eu não concordo, é exercer as duas funções ao mesmo tempo. Aí sim, é um tiro no pé.
Diogo Corrêa 03/02/2009 às 14:34
Talvez eu fui muito bruto no outro comentário. Mas, resumindo a minha opinião:
Aqui em Belo Horizonte ainda é valorizado o desenvolvedor “canivete suiço”. Eu espero que as empresas que contratam profissionais mudem essa mentalidade.
Mas quem faz freelas tem que falar um pouco de cada.
Fernando 03/02/2009 às 14:52
Apesar de todo o processo estar bem diferente de como era antes, ainda existem muitas empresas que se baseiam em alguns “conhecimentos”, como, por exemplo, dominar Dreamweaver e saber PHP, para escolher seus profissionais. Quando vejo que empresas grandes da minha cidade desenvolvem sites utilizando Dreamweaver e fazem códigos horríveis com muita tabela e aqueles estilos do próprio HTML fico aterrorizado, e, para o cliente está tudo bem, afinal ele tem o site no Google e funcionando do jeito que ele queria. Acho que para conseguir mudar pelo menos uns 90% das empresas do Brasil, os clientes deveriam se concientizar mais sobre acessibilidade, usabilidade e SEO. Como estou na área há um ano e já aprendi a codificar html com Web Standards, não sei muito bem como era todo o processo de desenvolvimento antigamente, portanto não posso reclamar ou elogiar as empresas de hoje. Só sei que aqui onde moro vejo coisas que me deixam bem indignado.
Fernando 03/02/2009 às 15:36
Ops, esqueci de dizer que é saber Dreamweaver e PHP ao mesmo tempo, hehehehe. Podem ser que me interpretem mal, achando que eu estava falando mal de PHP, só não me expressei muito bem, afinal sou programador PHP. Já Dreamweaver eu desmereço mesmo, acho que é muito mais importante saber HTML em si do que Dreamweaver.
Carlos Eduardo 03/02/2009 às 17:06
Concordo exatamente com tudo.
Porém só defendo a idéia de que os profissionais não devem ficar alheios as outras áreas.
Por exemplo, pra mim o Designer tem que ter noção de html/css, assim como este tem que saber de Design, além do programador também ter conhecimentos de html/css pra não ficar perdido.
Cada um em sua área específica, mas sem ficar alheio ao processo como um todo!
Flávio Escobar 03/02/2009 às 18:00
Carlos Eduardo disse um detalhe importante: não se pode ficar alheio às outras áreas. As diversas áreas que fazem parte do processo de desenvolvimento web não são totalmente independentes, o que faz com que o entendimento mínimo de cada uma delas seja “saudável” para o especialista em uma determinada área .
Diego Felix 03/02/2009 às 18:52
Concordo plenamente com esse texto..
Recebo e-mails com propostas de emprego exatamente desse tipo.. A pessoa precisa saber, xhtml, css, php, SQL e ter noçoes de design. O que é impressionante é que as vezes a empresa tem 9~10 funcionários com essas mesmas características, ao invez de ter 3 especialistas em cada área, o que resolveria o problema.
As empresas hoje ainda pensam muito em quantidade e não em qualidade, ou seja, quanto mais coisas seu funcionário souber, melhor.
Mikael Carrara 03/02/2009 às 22:05
Vocês já leram “Da divisão social do trabalho” de 1893 de Émile Durkheim?
Eu que não quero ser o cara do HTML então, coitado…
Mikael Carrara 03/02/2009 às 22:34
Eu adoro aquele filme do Charles Chaplin, “Tempos Modernos”.
Chris Benseler 03/02/2009 às 23:09
Eu estava comentando isso esses dias com o meu assistente, que veio da Agência Click: na empresa em que trampo agora, conseguimos mudar esse paradigma do processo linear… um projeto web normalmente ganha vida durante o seu ciclo, e só profissionais especialistas nas suas áreas conseguem levar em conta e lidar com todas essas questões.
Ressalto, ainda, que o profissional que cuida do client-side ainda precisa ter uma versatilidade de se dar bem com o design e entender das questões relacionadas, bem como levar com desenvoltura um contato com os bytes e bits do server-side, uma vez que ele é o profissional que faz a ponte entre uma extremidade e outra do processo!
[]s!
Luiz Paulo 04/02/2009 às 01:40
Primeiramente muito bom post Diego, hehehe
Concordo sobre a especialidade, mas não acho interessante que o especialista conheça apenas o que se propôe a fazer.
Acho que mesmo que focado em uma área, o profissional deve ter noção (nem q seja o mínimo) do que acontece do lado, até por que precisamos sempre interagir com toda a equipe. E um conhecimento geral (client / server-side) faz muita diferença nessas horas.
Não vou extender mas acho além do ponto que citei, várias outras coisas são beneficiadas em uma equipe “bem dotada”, rsrsrs. Mesmo que trabalhe com definições/especializações nos cargos.
Grande abraço.
bractus 04/02/2009 às 02:08
Eu sou um ‘coringa’, e sofro muito pra fazer design (meu lance é programar)…
Helton Marinho 04/02/2009 às 08:21
Bom dia Diego. Parabéns mais uma vez pelo artigo…
faço alguns “bicos” desenvolvendo sites e acabo botando a mão na massa com client-side, server-side, layout,… neste ponto acredito que é bom você possuir conhecimento em varias áreas…
outra coisa legal é você poder discutir, com segurança, sobre vários temas… ex: linguagens server-side, como o banco de dados esta modelado, usabilidade, design, etc…
Abraços
Julio Vedovatto 04/02/2009 às 10:31
Infelismente são utópicas as empresas que separam bem as funções se seus funcionários. São poucas que veem que é mais jogo você ter algo divido eficaz, preferem o bom e velho “canivete” eficiente. Não entendem que para algo ser BOM mesmo, o profissioanl tem que se focar em uma coisa só. Acham que o programador deve fazer o HTML/CSS e programar, tudo isso num apertado espaço de tempo, afinal é só programação. Alguém deve contar para eles que é programação, mas em níveis totalmente diferentes!
Problema de você ter conhecimento em várias áreas é que você nunca vai ser bom nelas. Seus trabalhos irão sair um lixo comparado a ter ele bem divido com outras pessoas. Mas sempre tem algum espertinho que fazem “bicos” pensando somente no dinheiro e não na qualidade. Eu abro mão do dinheiro para manter a qualidade. Sò mecho no que realmente sou bom.
:}
Vicente Lyrio 04/02/2009 às 10:42
cara, eu concordo e entendo o seu ponto.
Mas acho que um designer que não sabe minimamente como montar um html, ou que pelo menos não saiba o que dá pra fazer e o q não dá, acaba fazendo em geral um site estático e carregado de elementos desnecessários – dadas as limitações da internet.
E acho que o cara que monta o html/css precisa saber tb minimamente como funciona uma linguagem de programação, ou pelo menos que parte do conteúdo é gerado dinamicamente, para conseguir prever alguns dos problemas pelos quais o desenvolvedor vai passar.
E o desenvolvedor por sua vez tem q saber minimamente html, não precisa nem saber css, mas pelo menos como fazer pra manter o código html limpo, saber que uma ul pode ter id, não só div… hehe
Concordo que um coringa não é o melhor profissional, mas acho q o cara que é bitolado apenas numa coisa acaba gerando ruído numa área que passa por várias disciplinas durante um mesmo projeto.
E nessa hora alguém que tem uma visão mais ampla do processo pode gerenciar toda a operação.
Adriano Ribeiro 04/02/2009 às 10:47
Padrões web e especialização são essenciais, mas não significam necessariamente uma mudança na forma linear de montagem de um site. Paralelo a isso tem que existir a adoção de uma metodologia ágil e não-linear de produção.
Erick Prates 04/02/2009 às 11:07
Olá Diego.
Eu concordo com tudo que citou e afirmou acima, menos com a parte do CSS ficar nas mãos do designer. Falo isso por experiencia própria, ja passei por mtas agências ao longo desses meus 7 anos de experiencia com web, nenhuma delas eu vi um designer conseguir criar uma linha de código CSS. Sempre ficava para eu ter que fazer esse trabalho, o que na verdade acho mais lógico (deixar o código de interface, para alguém de interface).
Aqui na JWT não é diferente, o layout cai no meu colo eu monto e passo para o programador. Ja fui um bombril mas hj me limito a ser apenas o cara de interface aqui dentro, sinto-me satisfeito =)
Mikael Carrara 04/02/2009 às 11:18
É preciso ter uma visão / compreensão holística do projeto como um todo.
Arthur 04/02/2009 às 13:44
Muito boa a abordagem!
Ainda há empresas procurando pelo “super-web” como forma de redução de custo, o que no final das contas, pode sair caro.
Abs
Dalton 04/02/2009 às 16:38
Acredito que se deve separar o desenvolvimento de um sistema na web em programação server-side, html/css/client-side e design, mas com uma diferença na execução: html/css também deve ser conhecido profundamente pelos dois extremos. Ao montar o layout, o design deve saber como irá passar as infomações de forma correta (HTML), assim como dominar as técnicas de CSS para estilizar o site. Como hoje se fala tanto em Ajax, juntamente com as facilidades de frameworks como jQuery, para o programador o Javascript, o CSS e a linguagem server-side estão interligadas, e para as saídas dinâmicas de informação é necessário que se conheça bem a semântica do HTML.
Eu, como programador, trabalho dessa forma e acredito que funciona.
Simão Neto 05/02/2009 às 14:15
Olá galera….
Aqui no nordeste as coisas mudaram, cada profissional faz sua parte…
esse é o melhor meio de produtividade e qualidade…
um especialista para uma daterminada situação…
Eder 06/02/2009 às 09:03
Eu concordo em partes contigo Diego.
Eu creio que os profissionais devem sim ter uma visão ampla do negócio, não que ele tenha que saber de tudo um pouco, mas visão ele tem que ter.
Eu por exemplo, me considero um pouco do tal canivete suíço, trabalho com Design a 5 anos, com XHTML/CSS a 3 anos, WordPress a 2 anos e agora estou estudando muito SEO, SEM e afins, mas não perco o foco em desenvolvimento.
Em meus trabalhos freelas eu me saiu bem, sem ajuda de programador, design e afins, pois eu estudo muito e tenho dados para comprovar isso. Acredito que a pessoa que segue essa diretriz, tem tudo para ser uma pessoa de sucesso. Sucesso que eu digo é ter o próprio negócio, ser um gerente, etc.
Concordo contigo quando você fala que a pessoa sabe de tudo um pouco e no fundo não sabe nada.
Tudo bem, a pessoa há de ser especialista em XHTML/CSS, mas quando conversar com alguém sobre SEO, ele tem que entender o que a outra pessoa fala, por que o XHTML influencia diretamente nisso. Mesma coisa um especialista em Design, ele tem que entender que ele vai fazer o desenho para XHTML, CSS, Flash e afins.
Eu sou a favor e muito do conhecimento multidisciplinar e eu contrataria um canivete suíço, desde que a faca seja ergonômica e afiada. Não quero um pangaré com “tapa”.
Jean Fernandes 06/02/2009 às 11:36
Todo profissional deve saber ao menos um pouco de cada linguagem, inclusive um pouco de design(photoshop), ele deve ter uma especialidade, porem deve compreender como funciona todo o sistema(MVC) e saber resolver pequenos problemas.
Ps: Já vi muito especialista parado por não saber fazer um input e mais ainda não saber fazer um botao no photoshop.
Fernanda Prevedello 06/02/2009 às 17:35
Apesar de eu sempre concordar com essa teoria, a vida não é bem assim ainda. Eu sou do tipo que “sei muito de nada” que você diz aí Diego e pra mim não houve saída. O mercado foi me moldando desta maneira porque pra mim nunca ouve outra saída imediata. Ou era isso, ou nada. Ninguém nunca me contratou me querendo só como “Designer para internet”… eu tinha formular códigos, saber Flash, Vídeo, Áudio, E-mail Marketing.. e por aí vai… fui aprendendo, fuçando, estudando. Acredito que há outras maneiras de ver o mercado como profissionais como eu pois a maioria das empresas ainda trabalha nesse regime de pague 1 leve 3…4…5…
Matheus 06/02/2009 às 18:55
Belíssimo post. Falou tudo de uma forma simples e direta o que acontece no mercado WEB. Penso igualzinho!
Agora quanto à questão de dizer que ainda existem empresas que procuram o “coringa”, o problema é questão de postura de nós, desenvolvedores…. se todos nós procurarem ser “especialistas” em uma área e começar a impor certas questões, com certeza o mercado muda e o perfil do profissional passará a ser valorizado, reconhecido
Marcel 08/02/2009 às 19:58
Eu concordo, mas isso só se aplica pra quem já tem experiência no mercado e é especialista em um dos processos. Pra quem está começando, como eu, o negócio é ser um curinga mesmo, e ir se especializando em uma das áreas com o tempo, porque esperar pra começar apenas quando já for um especialista é algo surreal, e não se tem muita noção em qual especialização se focar, tanto em questões financeiras, de oportunidades no mercado e/ou gosto por aquilo que você irá fazer.
E, como já disseram, os processos não são independentes, porque pode surgir algum empecilho que por falta de conhecimento das outras áreas atrasem a produção.
Pretendo me tornar um designer, e me considero obrigado a ter noções sobre CSS e HTML ou ter alguém que me acompanhe no projeto da interface, pra que eu esteja ciente das limitações da tecnologia. Não adianta eu desenhar uma interface que não possa ou que seja extremamente complicada de ser produzida, esperando que os desenvolvedores se virem com a formatação e programação pra criar o que quero.
Mas realmente, se o cara pra quem eu vou mandar o desenho da interface não for um especialista, obviamente ele vai me limitar também, afinal, pode existir um método desenvolver a interface como projetei, mas que ele não conheça. Possuindo especialistas em cada área as limitações diminuem e fatalmente o resultado final vai ser muito melhor. Isso é uma visão que eu tenho hoje, sem muita experiência na área.
Mas o pior de tudo isso, é que na hora de correr atrás de um trampo, eles não pedem apenas que você conheça de tudo um pouco, mas que conheça muito de tudo, que você tenha conhecimentos avançados em umas seis áreas diferentes, mesmo pra um estágio, onde o objetivo é você aprender.
Julio 08/02/2009 às 20:53
Assunto muito bem levantado.
Tudo depende de ponto de vista. Quando somos jovens tendemos a pensar desta forma, mas o tempo vai passando e agente vê que as coisas poderiam ser melhores se fossem diferentes.
Se Howard Hughes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Howard_Hughes) se limitasse ao fato de ser engenheiro e se quisesse somente trabalhar com a engenharia dos aviões, que era a sua paixão, será que ele tinha se tornado quem ele foi?
Falar que uma pessoa ou é boa em uma coisa ou então ela é ruim em várias serve como desculpa para a incapacidade de fazer outras coisas. Não podemos ditar uma regra baseando-se em nossas limitações.
Existem pessoas que são excelente em tudo o que se propõem e fazer. Conheço pessoas que são excelentes em design, XHTML e programação, com certificação Java e .NET. E essa pessoa é melhor do que muitas que se dedicam somente ao design.
Um exemplo é o próprio Tableless. Acompanho desde o inicio e vejo que os fundadores são pessoas que são referencias em design, padrões, usabilidade, programação etc.
Se a pessoa quiser ficar o resto da vida ou fazendo layout, ou programando, ou etc. O melhor caminho seria vestir a viseira e esquecer o resto.
Ninguém chega ao cargo de gerente ou presidente sendo somente especialista. Isso é muito bonito quando somos jovens ou quando tentamos arrumar justificativa para nossa incapacidade.
Para as empresas isso é muito bom, ter pessoas especialista. Muitas delas não conseguem ver. Mas eu preferiria entrar como um canivete suíço do que como uma faca. Uma faca só é capaz de cortar ou gerenciar o corte. O canivete faz de tudo e é capaz de gerenciar de tudo.
Tudo se resume em “O que você quer ser quando crescer?”.
Rodrigo Fante 09/02/2009 às 11:48
Eu trabalho com desenvolvimento de interface em Londres, Front-End, XHTML, CSS, Javascript, XSLT…
Mas no Brasil e na Italia onde tambem trabalhei eu sempre fui coringa, PHP, front-end, designer algumas vezes, considero meu php bom, designer regular e o que realmente me especializei pra entrar no mercado de trabalho em Londres que eh altamente qualificado foi front-end…
Acho que como ja disseram, pra comecar tem que ser coringa mesmo e depois descobrir o que quer fazer melhor.
Assim como existem empresas pequenas que simplesmente nao podem pagar por especialistas, essas empresas existem porque existem clientes que nao querem ou nao podem gastar para ter um projeto bem desenvolvimento, como uma padaria de bairro, oficina, cabeleireiro, eh utopia achar que isso vai acabar um dia, pode melhorar, mas acabar acho dificil e economicamente falando inviavel no momento.
Marcel 09/02/2009 às 15:32
@ Julio
Acho difícil as pessoas que você conhece serem realmente excelentes em várias coisas. Sabe porque? Porque o meio no qual elas trabalham é de tecnologia. Existem muitas tecnologias e que são muito dinâmicas, mudam, são atualizadas sempre, surgem novas tendências e padrões, etc. A pessoa precisa estar estudando constantemente sobre diversas áreas diferentes. Até ela se tornar alguém realmente excelente, alguém excepcional em uma das áreas, já leva um bom tempo, em várias então muitos anos, muitos mesmo. Isso levando em conta a dedicação extrema aos estudos, a atualização constante dela.
Até acho que a pessoas que você conhecem podem ser muito boas em algumas áreas e “apenas” boas em outras, mas excelentes não, pelo menos não em mais de duas delas. E ainda depende do seu conceito, do seu ponto de vista, de excelência, qualidade de trabalho.
Ver o Michael Phelps ganhando diversas medalhas em modalidades diferentes da natação foi algo excepcional. Ele se tornou excelente porque ele se dedicou exclusivamente aquilo. Acredito que dificilmente um profissional de triathlon ou decathlon vai ser melhor que alguém que se dedique exclusivamente à uma das modalidades que são disputadas nesse tipo de esporte. Acho humanamente impossível ser bom em tudo.
Além do mais acho que depende da ambição das pessoas principalmente, ou da insatisfação, ela não conseguir ficar muito tempo fazendo a mesma coisa. E se ela muda constantemente o foco dela, invariavelmente ela não vai se boa em nada que faz. Howard Hughes se dedicou basicamente em duas áreas, aviação e cinema, as outras tão ligadas a essas duas, aprendeu engenharia porque tinha interesse em compreender o funcionamento dos aviões e projetar eles, um industrial porque queria produzir esses aviões, queria produzir seus próprios filmes e também dirigiu eles, e o filme mais popular foi sobre a paixão dele. Tá tudo relacionado. Uma coisa levou a outra, isso deduzindo por uma leitura muito por cima do artigo que você mandou.
Eu não compreendi o texto dizendo: invista em uma coisa e esqueça o resto. Mas apenas foque em um coisa. Quando você olha pra um objeto, você foca nele, mas não deixa de enxergar os outros em volta dele por culpa disso. Não existe um foco principal e outros secundários, o foco é o centro, não existe mais de um centro em alguma coisa, ele é único. Não dá pra focar em várias coisas, pelo menos não ao mesmo tempo. E também como uma crítica ao comportamento dos profissionais e empregadores. Não sei se conseguir ser claro no meu ponto de vista. Espero que sim xD.
Odil Junior 10/02/2009 às 00:05
Parabéns pelo artigo.
Sou um adepto desse pensamento, ou melhor, dessa “filosofia”.
Acredito ser exatamente esse o caminho.
É preciso caminhar junto com o avanço da tecnologia e da metologia de trabalho.
E mais, é preciso inculcar essa “filosofia” nas pessoas, para que possamos avançar juntos.
As ferramentas estão aí. Se estruturarmos o trabalho dessa maneira, apresentada no artigo, seremos muito mais bem sucedidos.
Parabens mais uma vez.
Você foi muito feliz na colocação de suas ideias.
Sérgio Alberti 11/02/2009 às 17:54
Sou designer há nove anos e, felizmente, minhas duas últimas experiências profissionais foram em grandes empresas, líderes em sua área. Posso contar aqui um pouco do que vi nas duas: comprovadamente, há uma tendência SIM com relação ao profissional de web se tornar um especialista em determinada área. O que não diz que (por exemplo) um designer que entrega o design do site não tenha que entender de (X)HTML, CSS, aliás, entendi perfeitamente o texto e acho que o Diego não quis dizer isso.
É mais que óbvio que quanto mais conhecimentos o profissional tiver, mais chances ele terá de se colocar no mercado, ainda mais nessa área marcada por intensa multi-disciplinariedade.
Agora, é aquele negócio: acho bastante inviável uma pessoa ter o DOMÍNIO das diversas áreas de produção: ser um excelente designer, tb um excelente montador de layout, um excelente programador, etc (ao menos que o cara seja super-dotado…) e, na minha opinião, a explicação, basicamente, se resume a isso: uma pessoa pra ser excelente designer, tem necessariamente que respirar isso o dia inteiro, seja fazendo cursos, faculdade, programas culturais e por aí segue…) Acho o PERFIL de um designer, em sua grande maioria, bem diferente do PERFIL de um programador, por exemplo (vejam bem, falo de PERFIL e não de COMPETÊNCIA). Até hoje, desconheço um excelente designer que resolva de modo excelente altas questões complexas de programação, e vice-e-versa.
Marco Aurélio Thompson 12/02/2009 às 22:11
Eu penso que…
- O mercado sempre vai conviver com o especialista e o generalista. O que deve variar é quanto de um e de outro.
- Algumas empresas não querem, não precisam ou não dispõe de recursos para montar uma equipe de especialistas. Contratar pessoas implica em salário + encargos e o salário do especialista não é exatamente o salário mínimo.
- Para algumas empresas as tarefas destinadas ao especilista são tão poucas que não compensa tê-lo entre seus quadros.
- Em algumas regiões não há oferta de especialistas.
- No fundo o que importa é o resultado final. Se o retorno está dentro ou acima das expectativas. E como estamos falando de criação aliada a técnica, não é certo que uma equipe de especialistas consiga melhores resultados que o generalista. Estamos lidando com talento e resultados, variáveis difíceis de mensurar.
Principalmente quem está começando e encontra um mercado de trabalho com poucas opções, se não apresentar-se como faz tudo, é provável que continue não fazendo nada.
E quem já conquistou prestígio e pode se dar ao luxo (e encontrar) oportunidades de trabalho em sua área específica, ótimo.
Sérgio Alberti 13/02/2009 às 17:05
Somente reafirmando (e usando a nomenclatura do post acima), o que tenho visto é a tendência das empresas de pequeno a médio porte contratarem os “generalistas”, e empresas de maior porte os “especialistas”.
Concordo demais com o Marco Aurélio quando ele aponta que o que de fato importa é a relação custo/benefício, e principalmente no que diz respeito ao tocante de remuneração. O que ando vendo é que o ganho salarial de uma pessoa que é “expert” em uma área geralmente tende a ser maior que alguém que é “bom” em várias, exatamente porque a primeira domina uma área de produção da empresa, ou melhor: dentro de seu ambiente corporativo, ninguém sabe mais do que ela aquilo que ela faz, e isso gera segurança, credibilidade, ela vira referência. Não sei se isso é certo, mas o que vejo é que o cara que mexe em várias coisas acaba (injustamente) sendo visto como um “faz-tudo” na empresa, como se tivesse menos foco, sei lá…
Tem outra: pra eliminar (e atenua bastante) a questão dos altos encargos dos especialistas, muitas empresas hoje vem optando pela forma de contratação de pessoa jurídica, eliminando desse jeito os altos encargos em assinar uma carteira, podendo assim pagar o que o profissional de fato vale. Essa talvez seja uma das saídas para as empresas pagarem mais justo seja por especialistas ou pelos generalistas.
Na minha opinião: quanto mais conhecimentos um profissional tiver, mais chances ele tem sim de se colocar no mercado, até porque oportunidades em maior número ele encontrará. Mas se você ao longo da carreira focar em determinada área, você poderá ser único, e acredito eu que assim se possa chegar a um cargo de liderança ou gerência, mas é questão de foco profissional msm, não há certos ou errados.
Percio Andrade 16/02/2009 às 15:54
Achei muito interessante e realista este artigo.
Venho dizer que onde eu costuma trabalhar era uma areá relacionada a informática, eu comecei como assessor de informática do então Secretário de Esportes, programava e fazia layout’s e assim minha vida ia indo.
Ate que fui promovido a chefe de setor de núcleo de informática, dai meu amigo, tudo que eu sabia sobre programação e design não valeram de nada, para piorar eu fui praticamente um quebra galho atendendo a toda uma secretaria sendo que havia outros na areá, outros que digo no qual eu comandava porem estes não sabiam fazer praticamente nada do que pediam….
O que pediam? redes, linux, shell ate malditos problemas do pacote Office eu tinha que resolver, pensei, essa promoção me ajudou ou me prejudicou? Vendo pelo lado financeiro logicamente ajudou, porem pelo lado profissional eu não evolui em nada pior, eu sai totalmente da areá em que atuava que era design e programação embora as outras áreas eu saiba e tenha certificado e cursos eu escolhi design para minha vida e o povo não ta nem ai eles querem alguem que saiba mexer para eles tanto faz você saber Photoshop ou programar um OS, sempre vão lhe usar para quebrar um “galho”.
Enquanto as pessoas que usam e estão acima não evoluírem suas mentes e notarem que computador não e apenas uma maquina de digitar e escrever, isto vai continuar acontecendo.
Rezo para que isto acabe mais até la, seremos sempre macacos gordos ou seja, quebra-galhos.
Desconsiderem meus erros de português.
Geradores 18/02/2009 às 11:25
Muito bom o texto.
Renata
Gustavo Gama 19/02/2009 às 13:12
Diego, texto muito interessante e contextualizado à realidade de quem trabalha com web.
Quero destacar uma frase no final dele: “Os profissionais se tornam mais dedicados com o processo e ganham uma visão muito maior de todo o projeto.”
Eu acho que a tendência, quando se fala em especialização do trabalho, é o profissional ter uma visão menor, mais “bitolada” do processo. Não que com isso eu acredite que a divisão do trabalho seja algo a ser evitado. Mas parece que, nesse caso, não conseguimos “ganhar” sempre
Seiti 26/02/2009 às 19:58
Concordo com o Gustavo Gama.
Estranha a conclusão do texto. Que o foco e a especialização do profissional lhe dá uma visão muito maior do processo. Pelo contrário, o foco e a especialização tiram do profissional, outrora multiuso, esta visão macro.
E então esta visão macro migra para outros profissionais, que entendem um pouco de cada parte de todo o processo e muito mais do negócio em si.
Marceneiro 02/03/2009 às 07:06
Boas matérias, excelente conteúdo. Parabens
Bruna
Canivetes Suiços | Propaganda MT | Um Estado de criatividade... 21/03/2009 às 09:43
[...] Via: Tableless [...]
segurança na rede 23/12/2009 às 17:01
Concordo com o texto foco e especialização valorizam o trabalho pois não é qualquer um que desenvolve um trabalho mais especifico seja em segurança, manutenção, automação,proteção em redes ,sistemas,sites, em qualquer ramo de atividade.